BRUXISMO INFANTIL

Crianças: bruxismo, DTM e distúrbios respiratórios do sono
Alterações como bruxismo, dor na face, estalos na mandíbula, sono agitado, ronco e respiração pela boca podem ocorrer também na infância. Embora muitas vezes sejam interpretadas como “fase”, esses sinais merecem atenção quando são frequentes, persistentes ou associados a dor, cansaço, alterações de comportamento ou dificuldade de concentração.
O bruxismo infantil não deve ser entendido automaticamente como doença. Ele pode ocorrer em crianças saudáveis, mas também pode estar associado a fatores emocionais, alterações do sono, respiração oral, ronco e distúrbios respiratórios do sono. Revisões recentes apontam associação entre bruxismo do sono e distúrbios respiratórios do sono em crianças e adolescentes, embora a qualidade da evidência ainda seja limitada e exija avaliação individualizada.
Por isso, crianças com bruxismo do sono devem ser avaliadas de forma cuidadosa. A consulta especializada permite investigar não apenas os dentes, mas também sono, respiração, hábitos, musculatura mastigatória, sinais de DTM e possíveis fatores associados.
As disfunções temporomandibulares também podem ocorrer em crianças e adolescentes. Estudos recentes mostram prevalências variáveis, frequentemente acima de 20%, especialmente em adolescentes, com manifestações como dor muscular, dor articular, estalos e limitação funcional.
Já os distúrbios respiratórios do sono incluem desde ronco habitual até apneia obstrutiva do sono. Em crianças, esses quadros podem se manifestar com sono inquieto, respiração bucal, ronco, pausas respiratórias percebidas, sonolência, irritabilidade, dificuldade de atenção e alterações no desempenho escolar. A prevalência estimada dos distúrbios respiratórios do sono pediátricos varia na literatura, e a apneia obstrutiva do sono em crianças costuma ser descrita em torno de 1% a 5%, dependendo dos critérios utilizados.
Quando procurar avaliação?
A avaliação é indicada quando a criança apresenta:
* ranger ou apertar os dentes com frequência;
* ronco habitual ou sono muito agitado;
* respiração pela boca;
* dor na face, cabeça ou mandíbula;
* estalos, travamentos ou dificuldade para abrir a boca;
* desgaste dentário, fraturas ou hipersensibilidade;
* cansaço ao acordar, irritabilidade ou dificuldade de concentração.
Como é feita a investigação?
A investigação começa pela história clínica detalhada, exame da face, boca, músculos mastigatórios e articulação temporomandibular. Também é importante avaliar sono, respiração, hábitos, comportamento e sinais de dor.
Quando necessário, a criança pode ser encaminhada para avaliação interdisciplinar com otorrinolaringologista, pediatra, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicólogo ou médico do sono. Em casos selecionados, exames do sono podem ser indicados.
Como é o tratamento?
O tratamento depende da causa e das consequências clínicas. Pode envolver orientação familiar, acompanhamento do sono e da respiração, controle de hábitos, manejo da dor, f isioterapia, encaminhamentos médicos e, em situações específicas, dispositivos odontológicos individualizados.
O mais importante é evitar condutas automáticas. Nem toda criança que range os dentes precisa de placa, mas toda criança com sinais persistentes merece uma avaliação criteriosa.
Referências * Orradre-Burusco I, et al. Sleep bruxism and sleep respiratory disorders in children and adolescents: a systematic review. Oral Diseases. 2024. * Bonacina CF, et al. Sleep bruxism and associated physiological events in children. 2024. * Minervini G, et al. Prevalence of temporomandibular disorders in children and adolescents: systematic review and meta-analysis. Journal of Oral Rehabilitation. 2023. * Mélou C, et al. Temporomandibular disorders in children and adolescents. 2023. * American Academy of Pediatric Dentistry. Reference Manual of Pediatric Dentistry 2025–2026. * International Association of Paediatric Dentistry. Consensus recommendations: management of bruxism in children. 2024
